• 29 de março de 2022
  • 11 minutos

PIB: Tudo que você precisa saber sobre!

11 minutos

Ao observar as notícias sobre economia ou pesquisar por possíveis investimentos, um dos índices que mais aparece é o PIB (Produto Interno Bruto). Porém, apesar da sua importância para todo tipo de planejamento financeiro e para a economia como um todo, a maioria dos cidadãos não entende o que ele representa, qual é seu propósito, nem seu impacto na sua vida cotidiana.

Mesmo para quem não tem muito patrimônio e busca investimentos mais seguros, esse índice ainda é muito importante para diversas decisões financeiras e para o funcionamento da economia no Brasil. Se você pretende fazer algum investimento de maior risco, esse é um dos fatores que precisam ser avaliados para garantir que você tome a melhor decisão.

Para ajudar a entender melhor o assunto, vamos falar um pouco mais sobre o PIB, como ele é calculado, sua importância na economia, entre outros detalhes fundamentais que você deve entender. Acompanhe.

O que é o PIB?

PIB é uma abreviação para Produto Interno Bruto, que é um indicador que reflete o nível de atividade econômica em determinada região. Ele pode corresponder a um país inteiro, a um bloco econômico, a um estado ou uma cidade.

Esse conceito foi cunhado primeiro pelo economista Simon Kuznets, na década de 1930. Seu modelo utilizava estatísticas relativas à demografia local, o que ajudou a entender melhor o impacto do crescimento populacional sobre a economia e a produtividade de cada região.

A primeira mensuração do PIB ocorre no ano de 1953, a mando das Nações Unidas. Desde então, ele passou a ser integrado em todo tipo de plano econômico. Hoje em dia, ele também serve como base para o cálculo do salário-mínimo no Brasil.

Como o PIB é calculado?

O desenvolvimento da fórmula usada para calcular o PIB foi bem demorado, pois considera todo tipo de produção e atividade econômica, desde produtos básicos, como comida e roupas, até aqueles envolvidos em linhas de produção complexas, como fabricação de aviões e eletrônicos.

Essencialmente, o cálculo do PIB depende do total de produção de bens e serviços em uma determinada região. Em outras palavras, ele é a combinação de todas as atividades econômicas que geram capital.

Por exemplo, digamos que uma fábrica produza um tipo de veículo com custo total de R$100.000, já levando em conta material, transporte e mão de obra necessários para confeccioná-lo. Se esse mesmo veículo é vendido por R$150.000, então o Produto Interno Bruto gerado pela sua fabricação é de R$50.000.

Parece algo simples à primeira vista, mas também é necessário analisar o PIB gerado na fabricação de cada peça e ferramenta usada nessa fábrica. Isso gerou muita dificuldade para economistas na época, pois vários produtos eram contados múltiplas vezes.

Utilizar o preço de venda e custo de produção como base foi a solução encontrada para equilibrar isso, pois o PIB gerado com a venda de um pneu seria descontado na produção do carro, evitando que o valor fosse artificialmente inflado.

Lógico que isso é apenas um exemplo simplificado de um cálculo que já é simplificado. A fórmula real para o cálculo do PIB é a seguinte:

PIB = CF + IP + GG + BC

Onde cada componente é:

  • CF: Consumo Familiar;
  • IP: Investimentos Privados (gastos das empresas);
  • GG: Gasto Governamental;
  • BC: Balança Comercial (valor total de exportações menos valor total de importações).

Mais uma vez, parece um cálculo simples. Para os padrões seguidos na economia mundial, ele é. Porém, envolve milhares de informações sobre empresas, pessoas físicas, comércio internacional, entre outras coisas. Mesmo que as empresas não divulguem seus dados publicamente, o IBGE, órgão responsável pelo cálculo do PIB, ainda tem acesso a eles.

A importância do PIB na economia

A principal aplicação do PIB é oferecer uma ilustração mais clara do crescimento econômico de uma região. No caso de um país, ele ajuda a indicar se o consumo e gastos internos estão equilibrados em relação à balança comercial.

Se um ou determinada região apresenta bons resultados no PIB, também se torna mais atrativo para investimentos privados externos, pois há mais recursos no local que podem ser movimentados. Por isso que muitos investidores e empresários tentam estimar esse índice com base em notícias e nas condições atuais do país.

Outro ponto importante sobre o PIB é que ele tem seu impacto na inflação. Quando há mais recursos e a economia se aquece, isso aumenta a oferta de produtos e sua qualidade, o que contribui com a redução dos preços, ajudando a manter a inflação sob controle sem ter que impor medidas mais drásticas.

PIB per capita

A expressão “per capita” significa “por cabeça” ou “por pessoa”. Enquanto o PIB geral de uma região reflete seu crescimento econômico como um todo, o PIB per capita reflete a distribuição desse valor entre toda a sua população. O cálculo em si é simples: basta dividir o PIB do país pelo seu total de população e você saberá qual é o crescimento econômico médio por pessoa.

É bom lembrar que o PIB não representa o poder econômico de um país, mas sim o seu índice de crescimento. É possível apresentar um ritmo de crescimento acelerado, mas ainda haverá poucos recursos disponíveis para a população como um todo.

Um dos principais dados que não são refletidos no PIB, por exemplo, é a desigualdade econômica dentro de um país. Por isso que há economistas que não concordam com o uso do PIB per capita como uma base confiável para compreender o impacto do crescimento econômico diretamente sobre a população.

O Brasil, por exemplo, é um país que apresenta um PIB elevado, mas que tem diversas regiões que vivem em condições de extrema pobreza. Da mesma forma, há países que apresentam um PIB baixo, mas que têm uma riqueza melhor distribuída, o que reduz os índices de pobreza.

A principal utilidade do PIB per capita é para fins de comparação abrangente entre a economia de diferentes regiões ou países. Ele ajuda a entender melhor se o crescimento econômico local é realmente expressivo quando comparado com o total da população local.

PIB por estados

O conceito de PIB não é restrito apenas a economias nacionais. Em essência, você pode aplicá-lo em praticamente qualquer escala, apenas considerando seu ambiente e o impacto que ele tem na produção de riqueza dentro do país.

Um exemplo disso que é o PIB por estados, que mede a contribuição de cada unidade para o PIB nacional. Dessa forma, cada um deles pode usar esse índice como parte de seu planejamento econômico com mais facilidade.

Porém, a maior utilidade dessa mudança de escala é avaliar o crescimento econômico em diferentes regiões e compará-los com relação ao total. No Brasil, por exemplo, as regiões sudeste e sul combinadas são responsáveis pela maior parte do PIB gerado no país, pois são o foco de boa parte das atividades econômicas e da população.

Esse índice dá uma perspectiva mais clara com relação à desigualdade na distribuição da produção econômica dentro do país, a qual ocorre por diversos motivos. Porém, a tendência é que essa divisão diminua ao longo do tempo, principalmente com os investimentos públicos e privados realizados em cada estado.

PIB X PPC

Quando se trata do comércio entre dois países e do câmbio de moedas, o PIB pode não ser o índice mais útil. Afinal, cada país mede o próprio PIB em sua própria moeda e levando em conta o próprio custo de vida. Mesmo que o salário médio em outro país equivalha a R$10.000, isso não significa muito quando o custo de vida está na mesma faixa.

Diante disso, os economistas usam outros indicadores quando chega o momento de comparar diferentes economias e fazer o câmbio, como é o PPC, ou Paridade de Poder de Compra. Esse é um índice mais eficiente na comparação entre duas economias, pois ele leva em conta sua taxa de câmbio e o preço nominal de um produto disponível em ambos os lugares.

O cálculo do PPC

O cálculo do PPC é feito com base na seguinte fórmula:

PPC = e x (P1/P2)

Onde os componentes são:

  • e: taxa de câmbio atual entre duas moedas;
  • P1: preço do produto na primeira moeda, geralmente igualado ao dólar;
  • P2: preço do produto na segunda moeda.

Se essa conta resultar em 1, significa que ambos os países têm paridade entre seus poderes de compra no que diz respeito a esse produto específico.

Vamos usar um exemplo para esclarecer. Digamos que um produto custa US$10 nos Estados Unidos e R$20 no Brasil. Se usarmos apenas esses dois, a paridade entre as duas moedas estará em 2, sendo que cada dólar vale dois reais e ambos representam o mesmo poder de compra.

Porém, digamos que a taxa de câmbio nesse momento seja de US$1 para R$5,40. Nesse caso, a fórmula fica da seguinte forma:

PPC = 5,4 x (10/20)

Nesse caso, o PPC fica em 2,7. E o que isso significa? Que mesmo que alguém saia dos Estados Unidos e compre o mesmo produto no Brasil terá um maior poder de compra aqui do que teria em seu país. Na realidade, precisaria de apenas US$3,70 para comprar o mesmo produto. Por outro lado, um brasileiro que faça o oposto terá que desembolsar R$108 no produto estrangeiro.

Esse indicador é bem mais utilizado para comparar economias, pois representa a real diferença em poder de compra quando uma moeda é convertida para outra. Um dos motivos para isso é a Teoria da Paridade dos Poderes de Compra, especificamente a chamada Lei do Preço Único.

Teoricamente, se todos os mercados do mundo tivessem livre comércio, então dois produtos idênticos deveriam ter o mesmo preço, independentemente de sua localização. Assim, mesmo que houvesse uma disparidade arbitrária entre os preços, a demanda se deslocaria para o país com o valor mais baixo, o que obrigaria ambos a se equilibrarem novamente.

Claro que isso não é a história completa. Há muitos outros fatores que influenciam essa troca, como a implementação de ações governamentais, existência de acordos econômicos, monopólios, holdings, entre outras coisas que podem influenciar essa diferença de valor e demanda. Mais uma vez, esse é apenas um dos vários componentes usados em uma análise econômica mais ampla.

Influência do PIB na economia internacional

O ranking mundial do PIB é um dos pontos de comparação principais na hora de determinar o poder econômico de dois países. Durante o período de crise econômica em 2018, o Brasil ainda se manteve entre as economias que apresentavam o melhor crescimento do PIB. Porém, em 2020, houve uma queda para a 12ª posição, principalmente associada à falta de movimentação de capital durante a pandemia.

Claro que, mais uma vez, isso não oferece uma leitura completa, já que o Brasil também é um país de proporções continentais com uma população enorme. Isso significa que, mesmo com alta produção, o PIB per capita ainda não será tão elevado. De acordo com o FMI, o Brasil estaria na 87ª posição no que diz respeito à renda per capita em 2019.

No que diz respeito à economia internacional, o PIB de um país afeta diversos tipos de negociações, principalmente em relação às taxas de importação e exportação. Produtos podem ter seus preços ajustados de acordo com mudanças econômicas internas e externas.

Produtos de base, como matéria-prima e alimentos, também têm grande influência na economia, pois sua demanda tende a ser alta independentemente do período. Além disso, um PIB baixo também é um indicativo ruim quando um país está em busca de crédito internacional, pois reflete baixa capacidade de pagar essa dívida.

Quando observado em comparação com outros indicadores, o PIB permite que diferentes empresas e países definam com quem pretendem fazer negócios. Se um lugar apresenta um poder de compra mais alto, então é possível investir para captar clientes lá. Por outro lado, um PIB elevado também afeta o desempenho de diferentes fundos de investimento internacionais.

Entender o PIB e seu impacto na economia é indispensável para quem pretende investir seu dinheiro e construir um patrimônio. Além, é claro, de compreender melhor o que está acontecendo ao redor do país diante de uma possível crise econômica.

Se este artigo tirou suas dúvidas, compartilhe-o e ajude mais pessoas a entenderem o PIB e sua importância na economia.

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