Economia no Brasil Abril de 2026: inflação acelera e Selic em queda 

Abril de 2026 reforça um cenário econômico que permanece em transição. O Brasil iniciou o ciclo de queda da Selic, mas ainda convive com inflação pressionada e um ambiente internacional bastante instável. Leia o conteúdo na íntegra e fique por dentro.
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    O mês de abril trouxe novos movimentos importantes para a economia brasileira. Enquanto a inflação voltou a acelerar, o Banco Central realizou mais uma redução na taxa Selic, mantendo o movimento gradual de flexibilização da política monetária. 

    Ao mesmo tempo, o cenário internacional continua exigindo cautela. As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã seguem impactando os preços globais de energia e influenciando diretamente as decisões econômicas ao redor do mundo. 

    Selic é reduzida para 14,50% ao ano 

    O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14,50% ao ano. 

    Segundo o Banco Central, o cenário atual ainda exige cuidado nas próximas decisões, principalmente por conta das incertezas no ambiente internacional e dos possíveis impactos sobre a inflação nos próximos meses. 

    A expectativa é de que os próximos movimentos ocorram de forma gradual, acompanhando a evolução do cenário econômico e os efeitos das tensões globais sobre os preços. 

    Inflação acelera em março 

    A inflação registrou alta de 0,88% em março. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,14%. 

    Os principais impactos vieram dos grupos: 

    • Educação, pressionado pelos reajustes aplicados no início do ano escolar; 
    • Transportes, influenciado pela alta das passagens aéreas e reajustes no transporte público. 

    Apesar da aceleração mensal, o resultado ainda representa a menor inflação para um mês de março desde 2020, indicando que parte da pressão inflacionária possui caráter sazonal. 

    Mercado de trabalho segue aquecido no Brasil 

    A economia brasileira continua apresentando força no mercado de trabalho. O número de trabalhadores formais ultrapassou 49 milhões de pessoas, representando crescimento de 2,6% nos últimos 12 meses. 

    Somente em março, foram criados 228.208 postos de emprego formal no país. 

    O cenário demonstra continuidade da atividade econômica e manutenção da geração de empregos mesmo em um ambiente de juros elevados. 

    Cenário internacional mantém atenção sobre inflação global 

    Nos Estados Unidos, o Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. 

    Segundo o Banco Central Norte-Americano, a economia segue apresentando crescimento consistente, embora o mercado de trabalho tenha mostrado geração de empregos mais fraca nos últimos meses. 

    O comitê também destacou que a inflação permanece em patamar elevado, influenciada principalmente pelo aumento recente nos preços internacionais de energia em meio às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. 

    Como ficaram os principais indicadores econômicos 

    Confira o desempenho de alguns indicadores no período: 

    Indicador Fechamento mensal Acumulado em 12 meses 
    Poupança 0,66% 8,32% 
    CDI 1,09% 14,82% 
    Ibovespa -0,08% 38,68% 
    Dólar -4,39% -12,69% 

    O que esperar dos próximos meses 

    Os próximos meses devem continuar sendo marcados por cautela e volatilidade. O mercado seguirá acompanhando principalmente: 

    • Os impactos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e inflação; 
    • Os próximos movimentos da Selic no Brasil; 
    • A trajetória da inflação brasileira; 
    • As decisões de juros nos Estados Unidos; 
    • O comportamento do dólar e dos investimentos globais. 

    Se o cenário inflacionário permanecer pressionado, o Banco Central deve continuar reduzindo os juros de forma gradual e cuidadosa. 

    Visão do economista 

    Segundo Sergio Samuel dos Santos, economista e analista de investimentos da Central Ailos, o corte na Selic ocorreu mesmo em um cenário de aceleração da inflação. 

    De acordo com o especialista, parte da pressão inflacionária atual vem de fatores externos, especialmente do aumento nos preços dos combustíveis causado pelos conflitos internacionais. 

    Nesse contexto, a política monetária possui efeito mais limitado no combate à inflação, já que os fatores de pressão não estão diretamente ligados à atividade econômica brasileira. 

    A expectativa é de continuidade dos ajustes graduais na Selic em busca de equilíbrio entre controle da inflação e atividade econômica. 

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    Este conteúdo faz parte do Panorama Econômico da Ailos, um espaço onde reunimos análises sobre inflação, Selic, câmbio, investimentos e os principais movimentos da economia brasileira. 

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