O mês de abril trouxe novos movimentos importantes para a economia brasileira. Enquanto a inflação voltou a acelerar, o Banco Central realizou mais uma redução na taxa Selic, mantendo o movimento gradual de flexibilização da política monetária.
Ao mesmo tempo, o cenário internacional continua exigindo cautela. As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã seguem impactando os preços globais de energia e influenciando diretamente as decisões econômicas ao redor do mundo.
Selic é reduzida para 14,50% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14,50% ao ano.
Segundo o Banco Central, o cenário atual ainda exige cuidado nas próximas decisões, principalmente por conta das incertezas no ambiente internacional e dos possíveis impactos sobre a inflação nos próximos meses.
A expectativa é de que os próximos movimentos ocorram de forma gradual, acompanhando a evolução do cenário econômico e os efeitos das tensões globais sobre os preços.
Inflação acelera em março
A inflação registrou alta de 0,88% em março. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,14%.
Os principais impactos vieram dos grupos:
- Educação, pressionado pelos reajustes aplicados no início do ano escolar;
- Transportes, influenciado pela alta das passagens aéreas e reajustes no transporte público.
Apesar da aceleração mensal, o resultado ainda representa a menor inflação para um mês de março desde 2020, indicando que parte da pressão inflacionária possui caráter sazonal.
Mercado de trabalho segue aquecido no Brasil
A economia brasileira continua apresentando força no mercado de trabalho. O número de trabalhadores formais ultrapassou 49 milhões de pessoas, representando crescimento de 2,6% nos últimos 12 meses.
Somente em março, foram criados 228.208 postos de emprego formal no país.
O cenário demonstra continuidade da atividade econômica e manutenção da geração de empregos mesmo em um ambiente de juros elevados.
Cenário internacional mantém atenção sobre inflação global
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Segundo o Banco Central Norte-Americano, a economia segue apresentando crescimento consistente, embora o mercado de trabalho tenha mostrado geração de empregos mais fraca nos últimos meses.
O comitê também destacou que a inflação permanece em patamar elevado, influenciada principalmente pelo aumento recente nos preços internacionais de energia em meio às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Como ficaram os principais indicadores econômicos
Confira o desempenho de alguns indicadores no período:
| Indicador | Fechamento mensal | Acumulado em 12 meses |
| Poupança | 0,66% | 8,32% |
| CDI | 1,09% | 14,82% |
| Ibovespa | -0,08% | 38,68% |
| Dólar | -4,39% | -12,69% |
O que esperar dos próximos meses
Os próximos meses devem continuar sendo marcados por cautela e volatilidade. O mercado seguirá acompanhando principalmente:
- Os impactos do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e inflação;
- Os próximos movimentos da Selic no Brasil;
- A trajetória da inflação brasileira;
- As decisões de juros nos Estados Unidos;
- O comportamento do dólar e dos investimentos globais.
Se o cenário inflacionário permanecer pressionado, o Banco Central deve continuar reduzindo os juros de forma gradual e cuidadosa.
Visão do economista
Segundo Sergio Samuel dos Santos, economista e analista de investimentos da Central Ailos, o corte na Selic ocorreu mesmo em um cenário de aceleração da inflação.
De acordo com o especialista, parte da pressão inflacionária atual vem de fatores externos, especialmente do aumento nos preços dos combustíveis causado pelos conflitos internacionais.
Nesse contexto, a política monetária possui efeito mais limitado no combate à inflação, já que os fatores de pressão não estão diretamente ligados à atividade econômica brasileira.
A expectativa é de continuidade dos ajustes graduais na Selic em busca de equilíbrio entre controle da inflação e atividade econômica.
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Este conteúdo faz parte do Panorama Econômico da Ailos, um espaço onde reunimos análises sobre inflação, Selic, câmbio, investimentos e os principais movimentos da economia brasileira.