• 26 de agosto de 2022
  • 8 minutos

Intercooperação: entenda o que é, quais os tipos, importância e mais

8 minutos

Você já ouviu falar na intercooperação? Trata-se de um dos 7 princípios do cooperativismo, que se baseia na premissa de formar alianças, parcerias e desenvolver negócios em conjunto, a fim de fortalecer todos os associados, bem como a sociedade.

Entretanto, existem alguns obstáculos que podem comprometer a colaboração entre as cooperativas. Entre eles, vale citar as diferenças culturais das organizações, o receio de perder a autonomia e as visões distintas sobre o próprio conceito de intercooperação.

A boa notícia é que tais dificuldades podem ser superadas, quando as cooperativas entenderem a real importância desse princípio para o futuro dos negócios. Confira!

Saiba tudo sobre o cooperativismo e entenda as vantagens desse modelo de negócios!

O que é intercooperação? 

Conforme dissemos inicialmente, a intercooperação é um dos 7 princípios do cooperativismo. Ele representa a parceria entre as próprias cooperativas, que, ao trabalharem juntas, só geram benefícios para o movimento cooperativista.  

Os associados também aproveitam as vantagens dessa união. Contudo, apesar da parceria entre organizações cooperativistas crescer anualmente, a quantidade de negócios do tipo ainda é baixa. 

Especialmente no Brasil, se compararmos o número de cooperativas existentes com a prática do intercooperativismo. 

Quais os tipos de intercooperação? 

Para incentivar a intercooperação, a OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) desenvolveu e lançou em 2020, a plataforma CooperaBrasil. 

Consiste em uma vitrine virtual que possibilita aos consumidores encontrar os serviços oferecidos pelas cooperativas. Assim que foi inaugurada, as primeiras cooperativas cadastradas eram do ramo agropecuário. 

Em seguida, as organizações do setor de Transporte e Trabalho e Produção de Bens e Serviços aderiram à plataforma. Fechando a lista, chegaram as cooperativas de Crédito, de Saúde e de Infraestrutura.

De modo geral, existem dois tipos de intercooperação, que você entenderá melhor logo abaixo.

Horizontal 

Na intercooperação horizontal — também chamada de territorial —, acontece a parceria entre cooperativas de ramos diferentes. Nesse contexto, é indispensável o respeito pelo serviço oferecido por ambas a fim de colher os benefícios da união.

Vertical 

Na intercooperação vertical, estão as cooperativas do mesmo segmento, que se associam para formar uma central. Com isso, o intuito é consolidar a marca no mercado para ganhar notoriedade regional, nacional e internacional. 

Qual a importância da intercooperação? 

Agora que você entendeu o conceito de intercooperação, deve estar se perguntando porque a cooperação é importante. 

O movimento cooperativista vem ganhando força no Brasil, principalmente nos últimos anos. Um dos fatores que contribuíram para esse fortalecimento é a relação de cumplicidade entre as cooperativas. 

Foi com esse trabalho em conjunto — intercooperação — que ajudou as entidades a se desenvolverem, já que as parcerias acrescentam valores umas às outras e unificam ramos, seja com a criação de centrais e confederações, ou com a troca de experiências. 

O envolvimento entre cooperativas é extremamente importante para seu crescimento no mercado, pois permite ampliar os conhecimentos e as ferramentas. 

Mas, para que isso aconteça, é fundamental que os associados e gestores internalizem os princípios do cooperativismo. 

Quais aspectos necessários que haja a intercooperação? 

Por enquanto, destacamos a importância do intercooperativismo para a saúde das cooperativas. Porém, existem alguns fatores determinantes para que esse processo aconteça com fluidez. 

Vale destacar a confiança, que é indispensável para os arranjos empresariais entre as cooperativas — essencial para qualquer relacionamento, seja de negócios ou não. 

Também não podemos esquecer do comprometimento. Afinal, esse processo só pode acontecer caso haja ações concretas dos envolvidos. Inclusive, as relações de liderança  precisam agir de forma estratégica para alcançar os objetivos a longo prazo.

Mais fatores que não podem ficar de fora são a interdependência, a transparência, a clareza nas doutrinas, a gestão profissional e o controle das vaidades. Veja outros aspectos condicionantes com mais detalhes abaixo.

Ambiente

Exige um controle específico para dimensionar as ações que precisam ser tomadas, em prol do crescimento das organizações. 

Compensações 

Uma vez que as cooperativas precisam visualizar seus esforços serem compensados, a compensação ocupa um papel fundamental para o desenvolvimento do intercooperativismo. 

Comunicação 

Outro fator chave para esse processo é a comunicação clara e objetiva entre os parceiros. Isso evita ruídos e problemas futuros entre as cooperativas. 

Quais as vantagens da intercooperação? 

Entre os grandes benefícios de fomentar a intercooperação, podemos ressaltar o fortalecimento do espírito cooperativo, vantagens no processo de gestão e a possibilidade de reduzir custos por meio de uma gestão mais eficiente. Veja mais detalhes a seguir.

Redução de custos 

Com a formação de uma cooperativa central, por exemplo — união entre duas organizações do mesmo segmento —, a administração dos custos e das despesas acontece com mais eficiência. 

Essa união, resulta no compartilhamento local de estruturas, da repartição das despesas com programas sociais, publicidade e eventos. Também pode ocorrer a diminuição nos gastos decorrente do maior poder de negociação. 

Fortalecimento do cooperativismo 

A partir da participação da cooperativa central na cooperativa singular, gera o fortalecimento das cooperativas, tanto de forma individual como coletiva. 

Como resultado, podemos notar uma atuação mais assertiva das cooperativas em sua comunidade; geração de empregos, expansão de renda, ações de cidadania e redução dos preços nos serviços ofertados aos cooperados.

Gestão 

Também existem os benefícios gerados a partir da gestão operacional, como o aumento da escala e da qualidade das soluções. 

Com a administração integrada, há outras vantagens como o acesso a novas tecnologias, reconhecimento de novas oportunidades de negócio e, consequentemente, expansão das atividades das cooperativas no aspecto regional ou nacional. 

Quais os desafios da intercooperação? 

Outro ponto que citamos inicialmente é que os baixos números de intercooperação no Brasil, se dão por uma série de obstáculos no relacionamento entre as cooperativas atuantes em território nacional. 

Mais acima, destacamos o receio que essas organizações têm de perder sua autonomia no processo de tomada de decisão. Confira mais alguns desafios para o sucesso do intercooperativismo a seguir.

Diferenças culturais 

Cooperativas diferentes, sejam elas do mesmo segmento ou não, possuem políticas de gestão e visões dos princípios cooperativistas distintos. 

Muitas vezes, essas diferenças culturais são tantas, que as organizações não conseguem encontrar um ponto em comum para fomentar a intercooperação.

Falta de confiança 

Além das distinções organizacionais, também existe a falta de confiança entre os gestores de cooperativas distintas. Afinal, não é possível firmar qualquer parceria se os dirigentes não mantêm uma relação de cumplicidade. 

Competição 

Outro fator que prejudica bastante a propagação do intercooperativismo é o excesso de competição entre as cooperativas associadas. 

Às vezes, a união até acontece, mas não se mantém duradoura, pois a rivalidade entre as cooperativas é maior do que o compromisso com a comunidade. 

Além disso, vale destacar o processo de tomada de decisões complexo demais, líderes incompetentes e o ruído na comunicação sobre a posição das cooperativas associadas. 

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Quais são os exemplos de intercooperação?

No decorrer deste conteúdo, você deve ter compreendido que o sucesso da intercooperação no mercado brasileiro se relaciona com uma série de fatores, como o interesse pela comunidade e o compromisso. 

Mesmo com os baixos números no país, não podemos deixar de citar alguns exemplos de intercooperação que conseguiram se estabelecer. Veja a seguir.

Cooperativa Nova Aliança

Situada no Rio Grande do Sul, possui 85 anos de história e é o resultado da intercooperação entre 5 cooperativas vitivinícolas da Serra Gaúcha:

  • Cooperativa Aliança, de Caxias do Sul; 
  • Cooperativa São Victor, de Caxias do Sul; 
  • Cooperativa São Pedro, de Flores da Cunha; 
  • Cooperativa Santo Antônio, de Flores da Cunha; 
  • Cooperativa Linha Jacinto, de Farroupilha.

Brazilrice Cooperativa Central Brasileira de Arroz

Central de cooperativas de arroz, sediada em Santa Catarina, com atuação desde 2012. É o resultado da intercooperação entre 5 cooperativas arrozeiras catarinenses:

  • Cooperja, de Jacinto Machado;
  • Coopersulca, de Turvo;
  • Copagro, de Tubarão;
  • Cravil, do Vale do Itajaí;
  • Cooperjuriti, de Massaranduba.

Vale ressaltar que essa união é focada na produção e comercialização de arroz. Então, mesmo com a associação, cada cooperativa mantém suas individualidades em suas respectivas áreas.

Unium

Fruto da união entre cooperativas agroindustriais paranaenses: Castro, Frísia e Capal. Com o surgimento em 2017, hoje, a Unium possui mais de 5 mil cooperados e mais de 7 bilhões em faturamento anual. Entre as vantagens dessa intercooperação, vale destacar:

  • aumento da escala;
  • maior valor agregado aos produtos;
  • redução na concorrência;
  • ganho na competitividade.

Perguntas Frequentes sobre a intercooperação  

Depois de aprender tudo sobre a importância da intercooperação, resolvemos trazer algumas das principais perguntas sobre o assunto. Confira abaixo!

Em que situação se usa a intercooperação?

Em um mercado dominado por grandes negócios, as cooperativas enxergam no intercooperativismo uma oportunidade para ganhar mais competitividade em um cenário altamente complexo e sujeito à mudanças.

Qual é o principal objetivo de uma cooperativa?

Quando uma cooperativa é criada, seus fundadores visam sempre melhorar a situação financeira, resolver problemas, necessidades e atingir metas em comum de um determinado grupo. Podemos defini-la como uma entidade que presta serviços para seus membros.

Conclusão

Neste artigo, você aprendeu mais sobre a intercooperação, um dos 7 princípios do cooperativismo. O intercooperativismo é fundamental para o desenvolvimento e fortalecimento do movimento cooperativista.

Como pode notar, existem inúmeros benefícios em colocar esse princípio em prática, mas ainda há muitos desafios. A boa notícia é que, aos poucos, esse cenário vem se modificando.

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