• 5 de dezembro de 2022
  • 11 minutos

TR taxa referencial: o que é, como funciona e cálculo

11 minutos

Em um cenário de investimentos, existem diversas nomenclaturas que podem ser difíceis de entender para um investidor iniciante, como, por exemplo, o TR taxa referencial. 

Muito provavelmente, quem já iniciou seus investimentos já deve ter ouvido falar em Taxa Referencial, mais especificamente a TR - junto da Selic. 

Em poucas palavras, ela é a taxa de juros que indica o rendimento do investidor. Ela é muito importante para cálculos em investimentos, remuneração do FGTS e atualização de financiamentos imobiliários.

Apesar de ser tão presente no cotidiano dos investidores, ainda existem pessoas que não sabem o seu real significado e qual é a sua função no mercado financeiro. 

Por isso, a Cooperativa Ailos, neste artigo, explicará o que é, como funciona e como realizar o cálculo da Taxa Referencial. 

Se você quer iniciar o seus investimentos e não sabe por onde começar, pode contar com o apoio da Cooperativa Ailos. Conheça nossos serviços de investimento e dê o primeiro passo para o sucesso! 

O que é a Taxa Referencial? 

A Taxa Referencial foi criada em 1991 sendo considerada uma taxa de juros de referência — ou seja, que é baseada em outras taxas. 

No período em que foi criada, seu objetivo principal era apontar os juros vigentes diariamente, evitando que a taxa do mês em questão reproduzisse a inflação do mês anterior. 

É válido ressaltar que na época da criação da TR, o país estava passando por um período de hiperinflação, fazendo com que o cidadão perdesse o poder aquisitivo. 

Na época, a Taxa de Referência funcionava como um índice de correção monetária, evitando que o brasileiro perdesse  o poder de compra — o que a Selic faz atualmente. 

Atualmente, a TR é utilizada para calcular o rendimento de alguns investimentos, como índice corretor, caderneta de poupança, saldo das contas do FGTS e outros. 

No entanto, além disso, ela também é utilizada nas operações de financiamentos imobiliários e títulos de capitalização, corrigindo o valor ao longo do tempo. 

Para que serve a TR? 

Em suma, a Taxa de Referência foi criada para substituir os índices de preços por juros que já eram praticados pelo mercado financeiro. 

Apesar de ter sido criada há 20 anos, a Taxa Referencial tem um papel fundamental para aqueles que alocam recursos em produtos financeiros específicos. Isso porque utiliza a taxa de juros como forma de rentabilidade, como dito anteriormente.

Portanto, a Taxa Referencial, atualmente, é utilizada como indicador de rentabilidade para investimentos específicos, como ativos, poupança, títulos do Tesouro, FGTS e alguns financiamentos imobiliários. 

No entanto, nem sempre foi assim, no início de seu funcionamento, ela era utilizada como controlador da inflação, evitando que o poder aquisitivo do consumidor caísse. 

Qual o impacto da TR na economia? 

Por um longo período, a TR foi o principal fator para a atualização monetária de investimentos e financiamentos. 

No entanto, atualmente, ela é considerada importante para o cálculo do rendimento da poupança, um dos investimentos mais populares do Brasil. 

Como ressaltado anteriormente, a TR também possui um papel fundamental no reajuste de financiamentos imobiliários, atuando como base para a correção do valor a ser pago às instituições financeiras. 

Porém, o TR não só impacta o rendimento da poupança ou o reajuste dos financiamentos imobiliários. Por isso, separamos outras áreas financeiras que têm um papel fundamental. 

FGTS 

Para esclarecimento, o FGTS, ou o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, funciona como uma reserva financeira para os trabalhadores que atuam na legislação CLT. 

Mensalmente, é depositado no FGTS um valor que equivale a 8% do salário do colaborador. O mesmo é reajustado mensalmente no dia 10. 

Dependendo da situação, o colaborador pode solicitar o saque do valor total presente no fundo de garantia. 

A Taxa Referencial entra no cálculo mensal do FGTS que é realizado através de uma soma de 3% do valor anual mais a TR. 

Título de capitalização 

O Título de Capitalização é oferecido pelas instituições financeiras e rende conforme a Taxa Referencial correspondente ao período em que os recursos foram aplicados. 

Apesar de não serem considerados um investimento, o Título de Capitalização é vendido como uma alternativa para a poupança — onde os recursos aplicados concorrem a sorteios de prêmios. 

A remuneração dos Títulos de Capitalização é bem parecida com a da poupança. Em geral, esse modelo de aplicação de recursos também é remunerado à Taxa Referencial. 

No entanto, com a Taxa Referencial muito baixa, a remuneração dos títulos de capitalização pode não ser suficiente para cobrir a inflação acumulada no período. 

Poupança 

Mesmo que a TR tenha perdido parte de suas funcionalidades, a taxa nunca deixou de fazer parte do cálculo de rentabilidade na poupança. 

Desde 2012, o sistema de rentabilidade da poupança varia conforme os níveis de juros básicos da economia do Brasil. 

Por exemplo, quando a Selic ultrapassar 8,5% ao ano, o rendimento da poupança paga a variação da TR mais 0,5% ao mês. 

Porém, se a Selic estiver abaixo de 8,5%, o valor do rendimento é igual a 70% da Selic mais a variação da Taxa Referencial. 

Sendo assim, é importante ressaltar que a variação na Selic pode sofrer grandes alterações ao longo dos meses, podendo chegar a variar quase 1% ao ano. 

Financiamento imobiliário 

Geralmente, os contratos de financiamento imobiliários utilizam a Taxa de Referência para atualizar o valor solicitado pelo cliente. 

Desta maneira, o valor solicitado passa a ser determinado por uma soma entre a TR e o valor dos juros fixos do contrato. 

No entanto, é importante lembrar que não são todos os contratos de financiamento que utilizam o TR para calcular o montante. 

Atualmente, algumas instituições financeiras utilizam Índices de Inflação para realizar o cálculo, como o IPCA

Como a TR se aplica aos títulos públicos? 

Se você é investidor, com certeza, você já deve ter escutado falar sobre os títulos públicos. Afinal, ele é a modalidade mais popular entre as pessoas que investem.

Normalmente, ele é um dos prediletos das pessoas que preferem investimentos mais seguros, com uma rentabilidade maior que a poupança. 

Por serem públicos, eles são emitidos especialmente pelo governo federal. Ou seja, todos os investidores possuem acesso. 

Ele funciona como se você emprestasse o seu dinheiro e, após um período combinado, recebesse de volta acrescido de juros. 

Antigamente, alguns títulos públicos como o NTN-H e o NTN-P tinham suas rentabilidades calculadas à variação da Taxa Referencial.

No entanto, os mesmo não estão mais disponíveis para compra, apesar de alguns investidores ainda possam mantê-los em suas carteiras. 

Porém, ainda existem outros títulos públicos que são bastante rentáveis, como:  Tesouro Prefixado, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, Tesouro IPCA, Tesouro IPCA com juros semestrais e Tesouro Selic. 

Como a Taxa Referencial é calculada? 

Atualmente, a Taxa Referencial é calculada pelo Banco Central (BC) diariamente e mensalmente e está disponível no site oficial da instituição financeira. 

Primeiramente, para a realização do cálculo, você deve encontrar o valor da Taxa Básica Financeira (TBF), que é o principal elemento da fórmula utilizada para encontrar o valor da TR. 

Até 2018, o cálculo do TBF e da TR eram baseados na média ponderada dos juros pagos pelos CDBs prefixados dos maiores bancos do país nos últimos 30 dias. 

No entanto, em fevereiro de 2018, foi realizada uma alteração para integrar esse cálculo com a realidade do mercado. Então, desde o acontecimento, o BC baseia-se nas taxas de juros das Letras do Tesouro Nacional (LTN). 

Por isso, para manter a relevância estatística da Taxa Básica Financeira e Taxa Referencial, passa a ser considerada a média ponderada das taxas de juros praticadas na negociação com as LTNs, consideradas referência na realidade do mercado brasileiro. 

A mudança aconteceu para servir como a adaptação à nova realidade financeira do país. Afinal, inúmeras instituições financeiras descobriram novas opções de aplicação e, consequentemente, diminuíram as aplicações em CDBs.

Como dito anteriormente, o Banco Central calcula diariamente o TBF e, a partir deste cálculo, é aplicado um redutor para chegar no valor da Taxa Referencial. No entanto, para isso, a seguinte equação é utilizada: 

  • R = a + b x TBF

Para você se situar no cálculo da Taxa Referencial, considere que: 

  • R é o redutor;
  • a é um valor fixo equivalente a 1,005 (valor definido na criação da TR); 
  • b dependerá do valor da TBF (informação que é sempre divulgada pelo Banco Central); 
  • TBF (definida e divulgada diariamente pelo BC). 

Com isso, após o valor do R ser encontrado, basta substituir os elementos na fórmula do cálculo. Veja a exemplificação abaixo: 

  • TR = 100 x [((1 + TBF)/r) - 1]

Explicamos como calcular a Taxa Referencial de maneira crua, pois é muito importante saber como o cálculo é feito pelo Banco Central. 

No entanto, se a fórmula for muito difícil de ser compreendida, o BC disponibiliza em seu site oficial a calculadora de TR que permite consultar o seu valor em determinado dia. 

TR diária 

A Taxa Referencial diária é utilizada para o cálculo do resgate de algum investimento aplicado durante um período inferior a um mês completo. 

Além disso, a  TR diária também é utilizada para estudos e projeções econômicas. Ao final de cada mês, é gerada também a variação de TR mensal. 

TR Mensal 

A TR mensal, basicamente, é a soma de todas as TR diárias do mês. Geralmente, o cálculo é utilizado na correção monetária de investimentos que estão aplicados ao longo dos 30 dias do mês. 

Por exemplo, no caso da poupança, a Taxa de Referência considerada para correção é a mensal, juntamente à Selic. 

Qual o atual valor da TR? 

Como dito anteriormente, o valor da TR é calculado diariamente e, desde setembro de 2017, a taxa ficou em 0%. 

Isso significa que, no caso da poupança, com a Selic abaixo de 8,5%, ela não tem influência em seu rendimento. 

No entanto, a desvantagem neste cenário é em relação ao saldo das contas do FGTS, já que não é ajustado nem pela inflação. 

Desde sua criação, a Taxa Referencial já zerou em diversos momentos da economia brasileira, afetando diretamente a rentabilidade do FGTS e da poupança ao longo dos anos. 

No entanto, em dezembro de 2021, com o aumento da Selic para 9,25%, a Taxa de Referência saiu do zero. 

Por isso, a poupança passa a valer 0,5% com o valor da Taxa Referencial. Além de aumentar o rendimento do FGTS, que é de 3% ao ano também com a TR. 

Histórico da Taxa Referencial 

Desde que a Taxa Referencial foi criada, em 1991, ela já chegou a patamares extremos. Por exemplo, no primeiro ano de sua criação, a TR rendeu cerca de 355%, passando para 1.156 % no ano seguinte e, em 1993, chegando ao seu maior patamar histórico, 2.474%. 

No entanto, em 1994, com o controle da inflação graças ao Plano Real, o valor da Taxa Referencial começou a diminuir. Porém, da mesma forma, a TR ainda alcançou o patamar de 951%. 

Por fim, a partir de 1995, a Taxa de Referência começou a perder o seu valor, conforme os juros do mercado começaram a baixar, o movimento de queda da TR foi sendo intensificado. 

Se você desejar começar a investir ou quer aplicar seus recursos de uma maneira mais segura, conte com a Cooperativa Ailos. Nossos serviços oferecem todo o apoio necessário para você aumentar o seu patrimônio com mais rentabilidade e conforto. Venha conhecer! 

Conclusão 

Muitas pessoas não sabem, mas o TR possui um grande papel na economia brasileira — apesar de ter perdido parte de suas funcionalidades. 

No entanto, apesar deste acontecimento, a Taxa Referencial conseguiu se manter relevante ainda por muito tempo. 

Isso porque, ao longo das últimas três décadas, a TR esteve presente na vida de todo consumidor brasileiro, seja trabalhador, poupador e investidores. 

Com a Taxa de Referência próxima a zero, dependendo da instituição financeira, é possível pagar juros menores em operações bancárias. 

Muito provavelmente, você deve estar se perguntando como ter uma boa rentabilidade neste cenário da TR. 

De início, é muito importante entender que seus investimentos devem, pelo menos, acompanhar o ritmo da inflação. 

Desta maneira, você consegue manter o seu poder de compra e evitar a corrosão do seu patrimônio ao longo do tempo. 

Caso você precise de auxílio em seu investimento, conte com a Cooperativa Ailos. Oferecemos apoio completo para você manter seu patrimônio saudável. 

ailos_blog_admin

Receba nossa newsletter

Inscreva-se

Faça um comentário

Últimos comentários (0)

Ocultar comentários
O Internet Explorer está sendo descontinuado.
Por favor, use outro navegador para acessar o blog. Veja alguns navegadores que você pode utilizar: