O que é IOF: alíquotas, quando é cobrado e como calcular

IOF é o imposto federal sobre crédito, câmbio, seguros e investimentos. Veja as alíquotas em vigor em 2026, exemplos de cálculo e quando ele é cobrado.
Índice
    Add a header to begin generating the table of contents

    O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um imposto federal cobrado em empréstimos, cheque especial, câmbio, seguros e alguns investimentos. Para pessoa física, no crédito, ele custa 0,38% do valor mais 0,0082% ao dia, com limite de 3,38% no total.

    As alíquotas mudaram em 2025. Veja abaixo quanto é cobrado hoje, em cada operação, com exemplos de cálculo.

    O que é o IOF?

    O IOF é um imposto federal administrado pela Receita Federal. Ele incide sobre operações de:

    • crédito, como empréstimos, financiamentos, cheque especial e rotativo do cartão;
    • câmbio, como compras no exterior, compra de moeda e remessas;
    • seguros;
    • títulos e valores mobiliários, como resgates de investimentos em menos de 30 dias.

    Além de arrecadar, o IOF serve como ferramenta de política econômica. Por isso, o governo pode alterar as alíquotas por decreto, sem precisar de lei. As regras estão no Decreto 6.306/2007, com as alterações posteriores.

    Você não paga o IOF diretamente à Receita. A instituição financeira calcula, cobra e repassa o imposto. Ele aparece no contrato, na fatura ou no extrato, e entra no Custo Efetivo Total (CET) das operações de crédito.

    Quanto é o IOF hoje? Tabela de alíquotas

    Alíquotas em vigor em outubro de 2026, conforme o Decreto 6.306/2007 com as alterações do Decreto 12.499/2025:

    OperaçãoAlíquota do IOF
    Crédito para pessoa física (empréstimo, financiamento, cheque especial, rotativo)0,38% + 0,0082% ao dia (máximo de 3,38%)
    Crédito para pessoa jurídica0,38% + 0,0082% ao dia
    Crédito para empresa do Simples Nacional e MEI, até R$ 30 mil0,38% + 0,00274% ao dia
    Compras com cartão internacional (crédito, débito ou pré-pago)3,5%
    Compra de moeda estrangeira em espécie3,5%
    Remessa ao exterior para disponibilidade própria ou de familiares3,5%
    Remessa ao exterior para investimento1,1%
    Entrada de recursos do exterior (regra geral)0,38%
    Seguro de vida e acidentes pessoais0,38%
    Seguro saúde2,38%
    Demais seguros (auto, residencial etc.)7,38%
    Aportes em VGBL acima de R$ 600 mil por ano (a partir de 2026)5% sobre o excedente
    Resgate de investimentos em menos de 30 diasDe 96% a 0% sobre o rendimento (tabela regressiva)
    PoupançaIsenta
    As alíquotas podem ser alteradas por decreto. Confira sempre a regra em vigor no momento da operação.

    O que mudou no IOF em 2025?

    Em maio e junho de 2025, o governo federal publicou decretos que aumentaram o IOF. A versão final, o Decreto 12.499/2025, de 11 de junho, ficou valendo. Ele:

    • elevou para 3,5% o IOF de compras internacionais com cartão, compra de moeda em espécie e a maior parte das remessas ao exterior;
    • igualou o crédito para empresas à regra de 0,38% + 0,0082% ao dia, com taxa reduzida para Simples Nacional e MEI em operações de até R$ 30 mil;
    • criou o IOF de 0,38% na compra de cotas de FIDC no mercado primário;
    • criou o IOF de 5% sobre aportes altos em VGBL.

    O Congresso chegou a derrubar o decreto, e o caso foi para o STF. Em 16 de julho de 2025, o ministro relator, Alexandre de Moraes, restabeleceu a maior parte das regras, com efeito a partir de 11 de junho de 2025. As operações de risco sacado (antecipação de pagamento a fornecedores) ficaram de fora da cobrança. Veja os detalhes na cobertura da Agência Brasil.

    Como o IOF é calculado no crédito?

    No crédito, o IOF tem duas partes:

    1. Alíquota fixa de 0,38% sobre o valor liberado, cobrada uma única vez.
    2. Alíquota diária de 0,0082% para pessoa física, pelo número de dias da operação. Essa parte é limitada a 365 dias, ou seja, a no máximo 3%.

    Somando as duas, o IOF do crédito para pessoa física chega a no máximo 3,38%.

    Exemplo: empréstimo pessoal

    Em um empréstimo de R$ 10.000 por 365 dias, com o valor todo pago no fim:

    Parte do IOFCálculoValor
    FixaR$ 10.000 × 0,38%R$ 38,00
    DiáriaR$ 10.000 × 0,0082% × 365 diasR$ 299,30
    Total R$ 337,30

    Na maioria dos empréstimos, o valor é pago em parcelas. Nesse caso, a parte diária é calculada sobre cada parcela de principal, pelo prazo até o vencimento dela. Por isso, o IOF real de um empréstimo parcelado costuma ser menor que o desse exemplo. O valor exato aparece no contrato e no CET.

    IOF no cheque especial

    No cheque especial, o IOF segue a mesma lógica, mas é calculado sobre o saldo negativo da conta:

    • 0,38% sobre cada valor novo que você usa do limite;
    • 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor, por dia em que a conta fica negativa.

    Em geral, o imposto do mês é somado e debitado no início do mês seguinte, mesmo que você já tenha coberto o saldo.

    Exemplo: usar R$ 1.000 do cheque especial por 10 dias gera R$ 3,80 de IOF fixo e R$ 0,82 de IOF diário, num total de R$ 4,62. Esse valor vem além dos juros do cheque especial.

    IOF no cartão de crédito

    O IOF também aparece no cartão quando você paga só uma parte da fatura. O saldo que vai para o rotativo ou para o parcelamento da fatura tem as mesmas alíquotas do crédito para pessoa física. Veja como isso pesa na conta em Pagamento mínimo do cartão e em Parcelamento de fatura.

    IOF no câmbio e em compras internacionais

    Compras no exterior com cartão de crédito, débito ou pré-pago, saques de moeda estrangeira e a compra de moeda em espécie pagam 3,5% de IOF.

    Exemplo: uma compra internacional equivalente a R$ 1.000 no cartão gera R$ 35 de IOF.

    Para remessas ao exterior, a alíquota depende da finalidade: 3,5% para manter recursos próprios ou de familiares lá fora, e 1,1% para investimento. Veja dicas para gastar menos em viagem em Mudanças no IOF: impactos na compra de moeda e gastos em viagem e em Comprar moeda estrangeira.

    IOF nos seguros

    O IOF já vem embutido no valor do prêmio do seguro. A alíquota depende do tipo:

    • seguro de vida e acidentes pessoais: 0,38%;
    • seguro saúde: 2,38%;
    • demais seguros, como auto e residencial: 7,38%.

    VGBL

    Desde 2026, aportes em VGBL de até R$ 600 mil por ano, somando todas as seguradoras, não pagam IOF. Acima disso, incide 5% sobre o excedente. Por exemplo, quem aporta R$ 700 mil no ano paga R$ 5.000 de IOF sobre os R$ 100 mil que passaram do limite. Em 2025, o limite era de R$ 300 mil por seguradora. O PGBL não tem essa cobrança.

    IOF nos investimentos

    Em investimentos de renda fixa, como CDB, RDC e Tesouro Direto, e em alguns fundos, o IOF só é cobrado se você resgatar em menos de 30 dias. Ele incide sobre o rendimento, e não sobre o valor investido, seguindo uma tabela regressiva:

    Dias da aplicaçãoIOF sobre o rendimento
    1 dia96%
    10 dias66%
    15 dias50%
    20 dias33%
    25 dias16%
    30 dias ou mais0%

    Exemplo: se uma aplicação rendeu R$ 20 e você resgatou no 10º dia, o IOF é de R$ 13,20 (66% de R$ 20). Depois disso, ainda incide o Imposto de Renda sobre o rendimento que sobrou.

    Algumas aplicações são isentas de IOF, como a poupança. LCI e LCA têm carência mínima de resgate, e por isso o IOF normalmente não chega a ser cobrado. O ouro como ativo financeiro paga 1% de IOF na primeira aquisição.

    Existem operações isentas de IOF?

    Sim. Entre as principais estão:

    • poupança, em qualquer prazo de resgate;
    • investimentos resgatados a partir de 30 dias;
    • aportes em VGBL dentro do limite anual;
    • risco sacado, que ficou fora da cobrança após a decisão do STF.

    As cooperativas de crédito também têm regras específicas de IOF nas operações em que são elas que tomam crédito. Entenda em IOF para cooperativas de crédito.

    Como pagar menos IOF

    • Planeje o prazo: em empréstimos curtos, a parte diária do IOF é menor.
    • Evite o cheque especial e o rotativo: além de juros altos, eles somam IOF a cada uso.
    • Deixe a aplicação render pelo menos 30 dias antes de resgatar.
    • Compare o CET, e não só a taxa de juros, antes de contratar crédito. O IOF está incluído nele.
    • Em viagens, planeje a forma de pagamento. Todas as opções principais pagam 3,5%, mas o câmbio e as tarifas variam.

    Perguntas frequentes

    O que significa IOF?

    IOF quer dizer Imposto sobre Operações Financeiras. É um imposto federal cobrado em operações de crédito, câmbio, seguros e alguns investimentos.

    Qual é a alíquota do IOF hoje?

    Depende da operação. No crédito para pessoa física, é 0,38% mais 0,0082% ao dia, com máximo de 3,38%. Em compras internacionais com cartão, é 3,5%. Veja a tabela completa no início deste post.

    Como é calculado o IOF do cheque especial?

    São 0,38% sobre cada valor novo usado do limite, mais 0,0082% ao dia sobre o saldo negativo. Em geral, o valor é somado e debitado no mês seguinte.

    IOF incide sobre a poupança?

    Não. A poupança é isenta de IOF em qualquer prazo.

    Quem paga o IOF no empréstimo?

    Quem contrata o crédito. A instituição financeira calcula o imposto, cobra junto com a operação e repassa à Receita Federal.

    IOF sobre investimento é sempre cobrado?

    Não. Ele só é cobrado em resgates feitos antes de 30 dias da aplicação, e incide apenas sobre o rendimento.

    O IOF mudou em 2026?

    As alíquotas em vigor são as do Decreto 12.499/2025, que passou a valer em 2025. Em 2026 começou a valer o limite anual de R$ 600 mil, somando todas as seguradoras, para os aportes em VGBL.

    O IOF pode mudar de novo?

    Pode. Como o IOF é alterado por decreto, o governo pode mudar as alíquotas a qualquer momento. Por isso, confira sempre a regra em vigor no dia da operação.

    Conteúdo informativo. Alíquotas atualizadas em outubro de 2026, com base na legislação federal.

    Aila

    Aila é autora do Blog Ailos e escreve sobre educação financeira, cooperativismo, investimentos, crédito e soluções financeiras. Seu propósito é tornar assuntos complexos mais simples, contribuindo para decisões financeiras mais conscientes e seguras.
    Compartilhar post:
    Índice
      Add a header to begin generating the table of contents

      Destaques Ailos

      Man in a denim shirt and green apron reviews documents at a wooden table with a laptop and calculator nearby.

      Empreendedorismo

      Reforma Tributária para MEI: o que muda e quando você precisa agir 

      Couple seated at a kitchen table, reviewing bills with worried expressions, calculator and laptop among scattered papers.

      Educação Financeira

      Superendividamento: o que diz a lei e como sair dessa situação

      Balança de madeira em equilíbrio com um smartphone exibindo o símbolo do Pix de um lado e um cartão Ailos azul do outro, sobre um fundo em tons de verde e azul. A composição representa a comparação entre pagamentos via Pix e cartão de crédito.

      Cartões

      Pix ou cartão de crédito: rivalidade é mito ou verdade?

      Rolar para cima