• 25 de agosto de 2022
  • 8 minutos

Os pioneiros de Rochdale e a história do cooperativismo: conheça!

8 minutos

Quem se interessa pela história do cooperativismo, já deve ter se perguntado sobre como esse movimento socioeconômico surgiu. Tudo começou com os pioneiros de Rochdale; um grupo de pessoas unidas por um objetivo comum. 

A iniciativa visava estimular e mediar o desenvolvimento econômico, em um contexto de escassez e instabilidade financeira. Com isso, esperavam aumentar as oportunidades para os envolvidos, que podiam participar das tomadas de decisões. 

Continue acompanhando o conteúdo a seguir para entender mais sobre essa história! 

Saiba tudo sobre o cooperativismo e entenda as vantagens desse modelo de negócios! 

Quando foi fundado? 

De acordo com a história, a primeira cooperativa moderna foi fundada logo após a primeira Revolução Industrial, em 21 de dezembro de 1844, na cidade de Rochdale, na Inglaterra.

Nesse período, o grupo era composto por 28 operários — 27 homens e 1 mulher —, que nomearam a associação de Rochdale Equitable Pioneers Society Limited, ou “Sociedade Equitativa dos Pioneiros de Rochdale”.

Apesar de outras cooperativas a precederem, foram os pioneiros de Rochdale os responsáveis pela criação dos princípios que baseiam as inúmeras cooperativas em atividade atualmente.

Qual a proposta? 

O grupo de 28 operários fundadores da primeira cooperativa dos tempos modernos, era composto por operários — em sua maioria, tecelões. 

Os primeiros esboços da associação surgiram em um cenário de desemprego, fome, exploração de mão de obra e salários baixíssimos. Eram essas as condições que marcavam um período posterior à primeira Revolução Industrial. 

Então, frente à situação de escassez de alimentos e a falta de poder aquisitivo para arcar com as necessidades básicas, esses operários resolveram montar seu próprio armazém. 

O intuito era comprar grandes quantidades de comida para distribuir igualitariamente entre os associados. Para isso, os membros da cooperativa reuniram um capital equivalente a 1 libra e alugaram o primeiro armazém para estocar os produtos.

Nos primeiros meses, o grupo foi alvo de críticas de outros comerciantes locais. Contudo, em um ano, seu capital social aumentou para 180 libras e já contava com mais de 1.400 cooperados. 

Doze anos mais tarde, já haviam mais de 3 mil colaboradores e mais de 150 mil libras de capital social. 

Foi assim que surgiu a primeira cooperativa, gerida por um conjunto de valores e princípios que norteiam as iniciativas atuais. Mas, quais são esses princípios? Você entenderá mais sobre eles no tópico a seguir.

Quais os princípios? 

Conforme dissemos logo acima, a primeira cooperativa do mundo moderno foi criada com base em 7 princípios, que se tornaram o alicerce do cooperativismo mundial. É claro que, desde sua criação até hoje, essas “regras de ouro” passaram por adaptações.

Entretanto, elas continuam servindo como linha de orientação, pautadas nos conceitos de democracia, liberdade, equidade, solidariedade e justiça social. Conheça mais abaixo.

Adesão voluntária e livre 

No primeiro princípio, temos a Adesão Livre — como era chamada inicialmente. Aqui, está o conceito de que as cooperativas são organizações voluntárias, aberta a todos aqueles que desejam utilizar seus serviços. 

Contudo, é importante esclarecer que ainda se tratam de organizações, e seus membros devem assumir certas responsabilidades. 

Nas cooperativas, por exemplo, é proibida qualquer discriminação, seja ela social, racial, de gênero, politica ou religiosa. 

Qualquer cooperado que não atender a essas exigências, não está apto para ficar no meio cooperativista. 

Gestão democrática 

Os pioneiros de Rochdale estipularam o “controle democrático: um homem, um voto”, como seu segundo princípio, que se tornou a Gestão Democrática atualmente.

Isso significa que as cooperativas seguem sendo uma organização democrática, administrada por seus associados. Na prática, seus membros participam ativamente na tomada de decisões e na fixação de políticas.

Sendo assim, as decisões não estão relacionadas com posse. Com esse princípio, a cooperativa consegue garantir que todos acompanhem as evoluções políticas da organização. 

Participação econômica dos membros

Inicialmente, o terceiro princípio era chamado de “Devolução do Excedente ou Retorno sobre as Compras”. Hoje, ele se transformou na definição que conhecemos por Participação Econômica dos Membros.

Segundo esse princípio, todos os associados contribuem na formação do capital social, bem como na movimentação financeira e econômica da organização. Dessa forma, as “sobras” são divididas proporcionalmente à movimentação de cada cooperado.

Cada cooperativa determina como essa divisão acontece, com base em suas legislações e políticas internas. Porém, de modo geral, as sobras costumam ser destinadas para as seguintes finalidades:

  • desenvolvimento da cooperativa, na formação de reservas;
  • beneficiar os associados proporcionalmente às suas transações;
  • custear outras atividades aprovadas pela sociedade cooperada;

Autonomia e independência 

Originalmente chamada de “Juros Limitados ao Capital”, o quarto princípio hoje é conhecido como Autonomia e Independência. Aqui, fica claro que as cooperativas são organizações autônomas, geridas pelos seus membros.

Sendo assim, elas podem fechar acordos com outras organizações, como instituições públicas, para recorrer ao capital externo. Porém, essa negociação deve ser feita de modo que o controle democrático dos associados não seja prejudicado.

As cooperativas de crédito brasileiras, por exemplo, são fiscalizadas pelo Banco Central

Educação, formação e informação

Os pioneiros de Rochdale denominaram o quinto princípio de “Neutralidade Política, Religiosa e Racial”. Atualmente, ele representa a Educação, Formação e Informação. 

As cooperativas devem promover a educação e formação de seus membros em todos os aspectos. Também devem fomentar a educação nas comunidades das quais fazem parte. 

Com isso, todos os envolvidos contribuem para seu desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Esse princípio se baseia na noção de que os sócios, representantes eleitos, administradores e empregados qualificados trabalham ativamente para o crescimento da cooperativa. Assim, conseguem beneficiar as comunidades das quais participam.

Intercooperação

O sexto princípio era, originalmente, conhecido como “Vendas a Dinheiro e à Vista”. Com o tempo, ele se transformou em Intercooperação.

Segundo esse princípio, a cooperação entre as cooperativas fortalece o movimento de modo geral. Essa intercooperação pode acontecer de inúmeras formas, como por meio de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais. 

Também podem acontecer por meio de cooperativas de um mesmo sistema, entre cooperativas de sistemas diferentes, ou mesmo de ramos distintos do cooperativismo. 

Interesse pela comunidade 

Por fim, mas não menos importante, o sétimo princípio — originalmente chamado de “Fomento do Ensino em Todos os Graus” — é denominado de Interesse pela Comunidade.

Os pioneiros de Rochdale fundaram a primeira cooperativa com base na crença de que era necessário trabalhar para o desenvolvimento da comunidade, de forma sustentável. 

Esse princípio incentiva investimentos em projetos economicamente viáveis e corretos sob a ótica ambiental e social. Também está baseado na atuação sem fins lucrativos, guiada pela geração de benefícios aos seus membros e para a sociedade.

Como eram divididas as sobras? 

Mais acima, você conheceu um pouco da história dos pioneiros de Rochdale. Como viu, seu objetivo era de criar um ambiente sustentável, em um cenário de escassez de recursos. 

Eles compravam insumos para dividir de forma igualitária entre seus associados. Quanto às sobras dessas compras também eram distribuídas, mas era aplicado um juros de 4% ao ano sobre o capital.

É importante frisar que esse capital social, na época, era composto por 1 libra de cada um dos 28 membros. 

Qual a importância dos pioneiros de Rochdale para o cooperativismo de hoje? 

Foram seus princípios nobres e políticas internas que contribuíram para formar as bases que guiam as inúmeras cooperativas em funcionamento atualmente. Eles definiram um novo modo de pensar do homem, que incluía o trabalho e o desenvolvimento social.

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Perguntas Frequentes sobre os pioneiros de Rochdale

Selecionamos as principais perguntas sobre os pioneiros de Rochdale em um só local. Acompanhe as respostas!

Quem foram os pioneiros de Rochdale?

Foram um grupo de 28 operários, em sua maioria tecelões — composto por 27 homens e 1 mulher —, que resolveram criar uma cooperativa com o intuito de desenvolver um ambiente sustentável em um cenário de escassez, após a primeira Revolução Industrial inglesa.

O que os pioneiros do cooperativismo defendiam?

Os primeiros cooperados enxergavam no associativismo um modo de contornar as consequências perversas do capitalismo, por meio da compra e venda de mercadorias, distribuindo de forma igualitária entre seus membros. 

O que se atribui o sucesso dos pioneiros de Rochdale?

A estipulação dos “Princípios de Rochdale” — um conjunto de 7 princípios que guiam as cooperativas de hoje — foram essenciais para o desenvolvimento e sucesso da primeira cooperativa. São eles:

  1. Adesão voluntária e livre;
  2. Gestão democrática;
  3. Participação econômica dos membros;
  4. Autonomia e independência;
  5. Educação, formação e informação;
  6. Intercooperação;
  7. Interesse pela comunidade.

Qual foi a atitude tomada pelos pioneiros que fez com que essa Sociedade fosse considerada a primeira cooperativa da história?

Seu maior feito foi elaborar um estatuto social, que determinava objetivos amplos para a organização, além de defender regras igualitárias e democráticas para a manutenção e expansão da cooperativa de trabalhadores.

Conclusão

Neste conteúdo, você conheceu os pioneiros de Rochdale, sua história de fundação e sua importância para as cooperativas em operação da atualidade. 

As dificuldades econômicas enfrentadas logo após a Revolução Industrial, fez com que operários buscassem uma alternativa ao seu modelo econômico insustentável.

Seus princípios tiveram a função de preservar a organização e mantê-la democrática e igualitária. Hoje, tais princípios formam a base de qualquer associação do ramo ao redor do globo.

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