A Reforma Tributária já começou sua fase de transição e representa uma das maiores mudanças no sistema tributário brasileiro das últimas décadas. Mais do que a substituição de impostos, a nova legislação impactará diretamente a gestão financeira, o fluxo de caixa, a formação de preços, a adequação de sistemas e revisão de processos internos, gestão de fornecedores, compras e as estratégias de crescimento das empresas.
O novo modelo tributário substituirá gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos impostos sobre valor agregado:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal;
- Imposto Seletivo (IS), aplicado a determinados produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A transição ocorrerá gradualmente até 2033, período em que o modelo tributário atual coexistirá com o novo modelo
Este conteúdo apresenta os principais impactos da Reforma Tributária para médias e grandes empresas nas áreas fiscal, tecnológica, financeira e de compliance, e como iniciar o planejamento da transição.
Como a Reforma Tributária afeta médias e grandes empresas
A Reforma Tributária substitui PIS, Cofins, ICMS e ISS pela CBS e pelo IBS, além de introduzir o Imposto Seletivo para produtos e serviços específicos.
Diferentemente do MEI e do Simples Nacional Unificado, que mantêm o recolhimento simplificado em guia única, médias e grandes empresas operam no regime regular de tributação e serão mais impactadas pela nova sistemática.
As principais mudanças para médias e grandes empresas, incluem a ampliação do aproveitamento de créditos tributários, a revisão da formação de preços e margens, a reavaliação da estratégia de fornecedores e da logística, e a redução da dependência de incentivos fiscais, exigindo adaptação ao novo modelo tributário, além da convivência dos modelos no período de transição.
Impactos da CBS e IBS para médias e grandes empresas
A CBS e o IBS permitem o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva, o que tende a beneficiar empresas com grande volume de compras tributadas, como indústrias e distribuidoras. Ao mesmo tempo, a apuração desses créditos exige controle mais detalhado do que o modelo atual, já que cada etapa da cadeia precisa estar corretamente documentada para que o crédito seja aproveitado.
Desde 1º de agosto de 2026, a nota fiscal eletrônica passa a exigir o destaque obrigatório de CBS e IBS por operação, conforme orientações da Receita Federal para 2026. Empresas que ainda não adequaram seus sistemas de emissão fiscal a essa exigência têm um prazo cada vez mais curto para regularizar o processo.
Quais áreas da empresa serão mais impactadas
O impacto da Reforma Tributária não se restringe à área fiscal. Entre as áreas mais afetadas nas médias e grandes empresas, destacam-se:
| Área | Principal impacto da Reforma Tributária |
| Fiscal e tributário | Apuração paralela de CBS/IBS e dos tributos atuais durante a convivência dos dois sistemas, entre 2027 e 2032 |
| Tecnologia da informação | Atualização de ERP, integração com o ecossistema de IBS/CBS e adequação ao Split Payment |
| Financeiro | Revisão de fluxo de caixa e capital de giro diante da retenção automática de tributos na liquidação de vendas |
| Jurídico e compliance | Revisão de contratos de longo prazo e adequação a novas obrigações acessórias |
| Comercial | Formação de preço considerando o repasse de créditos de IBS/CBS a clientes e fornecedores |
Desafios da Reforma Tributária para grandes organizações
O principal desafio técnico é a convivência de dois sistemas e gestão dos créditos entre 2027 e 2032. Nesse período, o ICMS e o ISS não desaparecem de imediato: a partir de 2029, as alíquotas desses tributos começam a cair, e o IBS assume gradualmente a mesma proporção, até a transição estar completa em 2033. Isso significa que, por vários anos, a mesma operação pode precisar ser apurada sob as duas lógicas em paralelo, para fins de comparação e ajuste.
Outro desafio é organizacional: empresas com múltiplas filiais, centros de distribuição ou operações em diferentes estados precisam avaliar o impacto da mudança na alocação do IBS, que passa a ser destinado ao município de consumo, e não mais ao de origem da operação.
Esse ponto costuma exigir atenção redobrada de grupos econômicos com centros de distribuição centralizados em um único estado, já que parte da arrecadação hoje concentrada na origem passa a ser redistribuída conforme o destino final das vendas, o que pode alterar a relação da empresa com governos estaduais e municipais ao longo da transição.
Adaptação tecnológica e de sistemas de gestão
A atualização de ERP é um dos pontos mais citados entre médias e grandes empresas em fase de adequação à Reforma Tributária. Os sistemas de gestão precisam ser capazes de calcular CBS e IBS separadamente dos tributos atuais durante o período de transição, emitir documentos fiscais com os novos campos obrigatórios e, a partir de 2027, se integrar ao mecanismo de Split Payment, que segrega automaticamente a parcela de tributo no momento da liquidação financeira de uma venda.
Empresas que dependem de integração entre ERP, sistemas de emissão fiscal e plataformas de pagamento devem mapear, com fornecedores de tecnologia, o cronograma de adequação de cada sistema, para evitar divergência entre o que é apurado internamente e o que é reconhecido pelo Fisco.
Impactos na gestão fiscal e nos regimes de tributação
Médias e grandes empresas geralmente apuram o Imposto de Renda pelo Lucro Real ou pelo Lucro Presumido, regimes explicados em detalhe no guia de IRPJ para empresas do Ailos. A Reforma Tributária não altera as regras do Imposto de Renda, mas a entrada da CBS e do IBS exigirá que as empresas convivam, durante o período de transição, com os dois modelos, aumentando a complexidade das rotinas fiscais e internas, exigindo revisão dos processos de apuração antes mesmo da entrada definitiva dos novos tributos.
A gestão de recebíveis também merece atenção nesse período. Mudanças recentes como a Duplicata Escritural já alteram a forma como empresas de médio e grande porte antecipam recebíveis, e essa adequação tende a ocorrer no mesmo período da transição tributária, o que reforça a importância de um planejamento financeiro integrado.
A área jurídica e de compliance também passa a acompanhar mais de perto a apuração tributária. Como a legislação complementar da Reforma Tributária ainda está sendo publicada em etapas, empresas de maior porte tendem a manter um canal formal de acompanhamento normativo, para identificar rapidamente novos atos do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal que afetem prazos ou obrigações já mapeadas.
A reforma também tende a ampliar o papel estratégico da gestão fiscal nestas empresas. Mesmo sem alterar os regimes de Imposto de Renda, as mudanças exigem a revisão dos processos de apuração, planejamento tributário e aproveitamento de créditos, considerando os impactos sobre custos, margens e rentabilidade.
Como iniciar o planejamento para a transição tributária
- Faça um diagnóstico das operações da empresa que serão afetadas pela CBS, pelo IBS e pelo Split Payment, incluindo filiais e centros de distribuição em diferentes estados.
- Envolva as áreas fiscal, financeira, jurídica e de tecnologia em um mesmo grupo de trabalho, já que os impactos da Reforma Tributária não ficam restritos a um único setor.
- Consulte fornecedores de ERP e de sistemas fiscais sobre o cronograma de adequação às novas exigências, incluindo o destaque de CBS e IBS na nota fiscal eletrônica.
- Reavalie contratos de longo prazo com cláusulas de reajuste tributário, considerando o período de convivência entre o sistema atual e o novo modelo.
- Estabeleça um cronograma interno de adequação alinhado às etapas oficiais da Reforma Tributária, com revisões periódicas à medida que novos atos complementares forem publicados.
Como o Ailos acompanha esse processo
O Sistema Ailos acompanha a regulamentação da Reforma Tributária e oferece conteúdos atualizados para apoiar os cooperados na compreensão deste tema. Como os impactos da reforma podem variar conforme o setor, o porte e a estrutura de cada empresa, recomenda-se buscar o apoio de profissionais especializados em contabilidade e assessoria jurídica para definir estratégias e conduzir as adequações necessárias nos processos.
Perguntas Frequentes
O que muda com a Reforma Tributária para médias e grandes empresas?
A principal mudança é a adoção de um novo modelo de tributação baseado na CBS e no IBS, com ampliação do aproveitamento de créditos tributários. Na prática, isso impacta na gestão fiscal, na formação de preços, nos sistemas internos e no planejamento financeiro durante o período de transição até 2033.
Como CBS e IBS impactam a operação das empresas?
Permitem o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva, mas exigem controle mais detalhado da apuração, já que cada etapa da cadeia precisa estar corretamente documentada.
A Reforma Tributária exige atualização dos sistemas de gestão?
Sim. O ERP precisa calcular CBS e IBS separadamente dos tributos atuais durante a transição, emitir notas fiscais com os novos campos obrigatórios e, a partir de 2027, se integrar ao Split Payment.
Quais áreas da empresa serão mais impactadas?
As áreas fiscal, tecnologia, financeira, jurídica/compliance e comercial, devido às mudanças na apuração dos tributos, adequação de sistemas, gestão de caixa, custos e créditos tributários, revisão contratual e precificação.
Como iniciar o planejamento para a transição tributária?
Com um diagnóstico das operações afetadas, envolvimento das áreas fiscal, financeira, jurídica e de tecnologia, e consulta a fornecedores de sistemas sobre o cronograma de adequação.
Empresas de médio porte também precisarão se adaptar aos novos processos?
Sim. Empresas de médio porte que operam no regime regular de tributação enfrentam praticamente os mesmos desafios de adequação que as grandes empresas, ainda que com menor volume de operações.