Pagamento mínimo do cartão: o que é, como é calculado e quando usar

Pagar só o mínimo do cartão evita o atraso, mas leva o saldo ao rotativo. Veja como o valor é calculado, quanto custa e o que fazer na fatura seguinte.
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    O pagamento mínimo do cartão é o menor valor que você pode pagar na fatura sem ficar em atraso. O restante não some: vai para o crédito rotativo, com os juros mais altos do mercado, e precisa ser quitado ou parcelado na fatura seguinte.

    Por isso, pagar só o mínimo deve ser uma saída de emergência, para um único mês. Veja como o valor é definido, quanto ele custa e o que fazer depois.

    O que é o pagamento mínimo do cartão de crédito?

    Toda fatura do cartão de crédito mostra pelo menos dois valores: o total e o pagamento mínimo. Ao pagar o mínimo, você cumpre a obrigação do mês e evita a inadimplência. A diferença entre o total e o que você pagou vira uma dívida que entra no crédito rotativo.

    Exemplo: a fatura é de R$ 2.000 e o mínimo é de R$ 300. Se você pagar só R$ 300, os R$ 1.700 restantes vão para o rotativo e são cobrados na próxima fatura, com juros e IOF.

    Como é calculado o valor mínimo da fatura?

    Até junho de 2018, o mínimo era de 15% da fatura. Desde então, cada instituição define o próprio percentual no contrato do cartão. Ele pode variar conforme o perfil do cliente.

    Pela Resolução BCB 96/2021, em vigor desde março de 2022, o pagamento mínimo é a soma de:

    O que entra no mínimoExplicação
    Saldo do rotativo do mês anterior e seus encargosSe você já usou o rotativo, esse valor precisa ser pago ou parcelado agora
    Parcelas de parcelamentos anteriores da faturaAs parcelas que vencem neste mês
    Percentual mínimo definido no contratoA parte das despesas do mês que a instituição exige como mínimo

    Se a instituição mudar o percentual mínimo, ela precisa avisar o cliente com pelo menos 30 dias de antecedência. O valor exato do seu mínimo aparece sempre na fatura.

    O que acontece quando você paga só o mínimo?

    O saldo restante vai para o rotativo. Pela Resolução CMN 4.549/2017, o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte, ou seja, por cerca de 30 dias. Na prática, isso significa:

    1. Neste mês: você paga o mínimo, e o restante entra no rotativo.
    2. Na próxima fatura: o saldo volta com juros e IOF, somado às novas compras.
    3. No vencimento seguinte: você precisa pagar todo o saldo do rotativo. Se não conseguir, a instituição oferece um parcelamento da fatura, em condições mais vantajosas que as do rotativo.

    Ou seja, não dá para pagar só o mínimo mês após mês e deixar a dívida rolando. Depois de um ciclo, o saldo precisa ser quitado ou parcelado.

    O limite continua comprometido

    Enquanto o saldo não for pago, ele ocupa o limite do cartão. Se você pagou o mínimo de uma fatura de R$ 2.000, cerca de R$ 1.700 do limite seguem bloqueados, além dos juros. Isso reduz o espaço para compras nos meses seguintes. Veja como o limite funciona em Como aumentar o limite do cartão.

    Quanto custa pagar o mínimo do cartão?

    O custo vem dos juros do rotativo e do IOF.

    Juros: segundo as estatísticas de crédito do Banco Central divulgadas em 29/9/2026, a taxa média do rotativo para pessoas físicas em agosto de 2026 foi de 444,9% ao ano, o que equivale a cerca de 15,2% ao mês. Para comparação, o parcelado do cartão ficou em 192,1% ao ano. Entenda mais sobre essas taxas em Juros rotativo do cartão de crédito.

    As taxas variam muito entre instituições e mudam todo mês. Para comparar, use a consulta de taxas de juros por instituição do Banco Central, na modalidade de cartão de crédito rotativo, e confira o período informado na consulta. Os dados deste post foram consultados em outubro de 2026.

    IOF: para pessoa física, o IOF é de 0,38% sobre o valor mais 0,0082% por dia.

    Teto legal: desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Uma dívida de R$ 1.700 no rotativo, por exemplo, pode gerar no máximo R$ 1.700 em juros e encargos. A taxa de 444,9% ao ano é a taxa mensal convertida para o ano, uma referência estatística do Banco Central. Como o saldo só pode ficar no rotativo por um ciclo e existe o teto, ninguém chega a pagar esse percentual sobre a dívida. Mesmo assim, o custo de um único mês é alto, como mostra o exemplo abaixo.

    Exemplo de quanto custa um mês no rotativo

    ItemValor
    FaturaR$ 2.000,00
    Pagamento mínimoR$ 300,00
    Saldo que vai para o rotativoR$ 1.700,00
    Juros de um mês (cerca de 15,2%)R$ 257,98
    IOF (0,38% + 0,0082% ao dia por 30 dias)R$ 10,64
    Saldo na próxima fatura, antes das novas comprasR$ 1.968,62
    Simulação ilustrativa feita pelo Blog Ailos com a taxa média do Banco Central de agosto de 2026. O valor do mínimo, a taxa e os encargos reais dependem da sua instituição.

    Em um único mês, a dívida de R$ 1.700 cresceu quase R$ 270. Por isso, o mínimo só faz sentido quando você tem certeza de que vai quitar tudo na fatura seguinte.

    Quando pagar o mínimo pode fazer sentido?

    PrósContras
    Evita atraso, multa e negativação no mêsOs juros do rotativo são os mais altos do mercado
    Dá um fôlego curto para um imprevistoO limite fica comprometido
    Serve como ponte se você já tem dinheiro garantido para o mês seguinteA próxima fatura chega maior, somada às novas compras
     Se não quitar, o saldo vai para um parcelamento, com mais juros

    Pode fazer sentido quando você teve uma despesa inesperada e já sabe de onde virá o dinheiro para pagar todo o saldo na próxima fatura, como um salário, um 13º ou um valor a receber.

    Não faz sentido quando você não tem como quitar o saldo no mês seguinte. Nesse caso, compare com o parcelamento da fatura ou com um crédito mais barato. O post sobre parcelamento de fatura mostra, com números, por que parcelar logo costuma sair mais em conta do que passar um mês no rotativo.

    O que fazer depois de pagar o mínimo

    1. Reduza o uso do cartão até quitar o saldo.
    2. Faça pagamentos avulsos antes do vencimento, se sobrar dinheiro. Isso reduz os juros.
    3. Planeje a próxima fatura para pagar o total. Use as dicas de controle financeiro pessoal.
    4. Se não conseguir pagar o total, escolha o parcelamento com o menor número de parcelas possível e compare o Custo Efetivo Total (CET).
    5. Busque ajuda se a dívida estiver crescendo. Veja como sair dela no post sobre dívida de cartão de crédito e conheça seus direitos em superendividamento.

    Pagamento mínimo do cartão na cooperativa

    No Cartão de Crédito Ailos, o valor mínimo de cada mês aparece na fatura, e as condições de rotativo e de parcelamento são informadas pela sua cooperativa. Se a fatura apertou, conversar com a cooperativa antes do vencimento ajuda a comparar as opções e escolher a que pesa menos no orçamento.

    Perguntas Frequentes

    Quanto é o pagamento mínimo da fatura?

    Depende da instituição e do seu contrato. Desde 2018, não existe mais um percentual fixo de 15%. O valor exato aparece na sua fatura.

    O que acontece se eu não pagar nem o mínimo?

    A fatura fica em atraso. Entram juros de mora, multa e encargos, e a dívida pode ser registrada em órgãos de proteção ao crédito. Se não der para pagar o mínimo, procure a instituição antes do vencimento para negociar.

    Posso pagar um valor entre o mínimo e o total?

    Sim. Quanto mais você pagar, menor fica o saldo no rotativo e menores ficam os juros.

    Pagar o mínimo baixa o score?

    Pagar o mínimo não é atraso. Mas uma dívida que cresce e compromete o limite pode afetar o seu histórico. Pagar as contas em dia ajuda no cadastro positivo.

    Conteúdo informativo. Taxas, prazos e condições podem mudar e variam conforme a instituição.

    Aila

    Aila é autora do Blog Ailos e escreve sobre educação financeira, cooperativismo, investimentos, crédito e soluções financeiras. Seu propósito é tornar assuntos complexos mais simples, contribuindo para decisões financeiras mais conscientes e seguras.
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